Quando o mosquito vira o jogo

 

Embora pareça uma ótima ideia à primeira vista, o uso contínuo de produtos químicos no combate a insetos pode não ser a melhor estratégia. Os cientistas começaram a perceber que, após o uso intensivo do DDT em meados do século XX, apareceram populações de mosquitos resistentes à substância (7). O mesmo aconteceu com outros inseticidas e, atualmente, há regiões no mundo, incluindo cidades do Brasil, em que os mosquitos são resistentes à maioria dos compostos (7)!

 

Isso acontece porque o inseticida age como um mecanismo de seleção artificial: populações mais sensíveis de mosquitos morrem, mas alguns indivíduos resistentes sobrevivem e passam esta resistência para seus descendentes. Em pouco tempo, os insetos resistentes, devido a mudanças genéticas, tornam-se maioria, e os inseticidas perdem sua eficiência (7).

 

No Brasil, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) desenvolve um programa de monitoramento nacional da resistência do Aedes aegypti a esses compostos (14). Os estudos que avaliam e monitoram a resistência aos inseticidas são fundamentais para a escolha das substâncias mais eficazes.

 

 

 

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7. Valle D, et al. Controle químico de Aedes aegypti, resistência a inseticidas e alternativas. In: Valle D, Pimenta DN, Cunha RV da, editors. Dengue: teorias e práticas. 1st ed. Rio de Janeiro: Editora da Fiocruz; 2015. p. 93–126

 

14. Braga I, et al. Aedes aegypti: vigilância, monitoramento da resistência e alternativas de controle no Brasil. Epidemiol Serv Saude. 2007 Out-Dez;16(4):295–302.