Uso de inseticida, mas com cautela!

 

No início do século XX, Oswaldo Cruz utilizava enxofre (anidrido sulfuroso) e piretro, na luta contra o Aedes aegypti (6). Com a descoberta do DDT, acreditou-se que o problema dos mosquitos transmissores de doenças estava resolvido (6).

 

 Hoje, o controle do Aedes aegypti tem sido feito principalmente com inseticidas piretroides ou organosfosforados (7). Usados geralmente contra o mosquito adulto, esses inseticidas agem nos neurônios dos insetos, porém devido ao uso generalizado e à facilidade de acesso da população a estes inseticidas, muitas populações de Aedes já são resistentes hoje à maioria destes compostos, restando poucas alternativas a serem usadas (7).

 

 Outra estratégia de controle é o uso de inseticidas análogos aos hormônios juvenis de insetos, como o pyriproxyfeno, usado para impedir o desenvolvimento das larvas. Esses compostos podem ser utilizados em armadilhas para ovos (ovitrampas), nas próprias fêmeas de mosquito ou nas redes de proteção contra insetos (mosquiteiros) (8-11). No entanto, os cientistas ainda não têm certeza sobre se esse tipo de composto provoca efeitos adversos nos seres humanos (12,13) e, por isso, é recomendada cautela em seu uso (12,13).

 

 

 

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 6. Aragao MB, et al. Aplicação especial de inseticidas em saúde pública. Cad Saude Publica. 1988, Abr-Jun;2(4):147-166.

 

 7. Valle D, et al. Controle químico de Aedes aegypti, resistência a inseticidas e alternativas. In: Valle D, Pimenta DN, Cunha RV da, editors. Dengue: teorias e práticas. 1st ed. Rio de Janeiro: Editora da Fiocruz; 2015. p. 93–126

 

8. Snetselaar J, et al. Development and evaluation of a novel contamination device that targets multiple life-stages of Aedes aegypti. Parasit Vectors. 2014 Apr 25;7:200. 

 

 11. Itoh T, et al. Utilization of bloodfed females of Aedes aegypti as a vehicle for the transfer of the insect growth regulator pyriproxyfen to larval habitats. J Am Mosq Control Assoc. 1994 Sep;10(3):344-7.

 

12. Sullivan JJ, et al. Environmental fate and properties of pyriproxyfen. J Pestic Sci. 2008;33(4):339–50. 

 

 13. Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco. Nota técnica sobre microcefalia e doenças vetoriais relacionadas ao Aedes aegypti: os perigos das abordagens com larvicidas e nebulizações químicas – fumacê. [Internet] Disponível em: https://www.abrasco.org.br/site/noticias/institucional/nota-tecnica-sobre-microcefalia-e-doencas-vetoriais-relacionadas-ao-aedes-aegypti-os-perigos-das-abordagens-com-larvicidas-e-nebulizacoes-quimicas-fumace/15929/. Acesso em: 2017 Jun 05.