Origem e epidemias

 

O vírus zika foi identificado pela primeira vez em 1947 em um macaco que começou a apresentar os sintomas da doença, até então desconhecida. O animal vivia na floresta Zika – de onde veio o nome do vírus –, localizada em Uganda, na África. Depois, o vírus foi detectado em mosquitos do gênero Aedes na mesma floresta (4).

 

Acredita-se que o vírus, considerado endêmico no Leste e Oeste africano, tenha se disseminado para o continente asiático a partir de 1966 (1). Grandes surtos de Zika ocorreram nos anos 2000 na Micronésia e na Polinésia Francesa (Oceania) (1). Entre 1952 e 2013, foram notificadas evidências de sua presença em humanos em vários países da África, Ásia e Oceania (1).

 

Nas Américas, ele foi identificado pela primeira vez no início de 2014 na ilha de Páscoa, território do Chile localizado no oceano Pacífico, a 3.500 km do continente (1). Em abril de 2015, foi a vez do Brasil integrar essa lista (5). 

 

O número de países onde há registro de circulação do vírus aumentou recentemente para 64 (6).

 

 

A globalização e a chegada ao Brasil

 

Uma das hipóteses para a entrada do vírus no Brasil é que ele tenha chegado junto com turistas estrangeiros durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014 (7). Outra hipótese é que ele tenha começado a circular no país durante o Campeonato Mundial de Canoa Polinésia, que atraiu para o Rio de Janeiro diversos atletas da Polinésia Francesa em agosto de 2014 (7). A análise de amostras de sangue de pacientes brasileiros apontou semelhança entre os vírus do Brasil e dessa região da Oceania (5). Estudos recentes de pesquisadores brasileiros mostraram que o vírus já devia estar no Nordeste brasileiro desde o final de 2013 e início de 2014, um ano antes do primeiro caso reportado no Brasil, e que aquele vírus era mais parecido com os vírus do Pacífico (8,9), o que coloca a entrada do vírus no território nacional em um ponto do tempo antes da Copa do Mundo ou do Campeonato Mundial de Canoa Polinésia.

 

 

A epidemia de 2016

 

Em 2016, foram notificados 215.319 casos suspeitos de zika no Brasil, distribuídos em 2.306 municípios, sendo que 130.701 (cerca de 60%) foram confirmados, segundo dados do Ministério da Saúde (10). No mesmo ano, foram confirmadas oito mortes pelo vírus – quatro no Rio de Janeiro, duas no Espírito Santo, uma no Maranhão e uma na Paraíba. Entre as gestantes, foram 17 mil casos notificados e 11.052, confirmados (10).

 

A região Centro-Oeste foi a campeã de incidência de zika, com 222,0 casos para cada 100 mil habitantes. Entre os estados, Mato Grosso, Rio de Janeiro e Bahia foram os mais atingidos, com uma taxa de incidência de, respectivamente, 671,0, 414,2 e 340,5 casos para cada 100 mil habitantes (10).

 

 

 

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1. Brasil. Ministério da Saúde. Boletim Epidemiológico - Febre pelo vírus Zika: uma revisão narrativa sobre a doença. [Internet] Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2015/agosto/26/2015-020-publica----o.pdf. Acesso em: 2017 Jun 06.

 

4. Dick GWA. Zika Virus (I). Isolations and serological specificity. Trans R Soc Trop Med Hyg. 1952;46(5):509–20. 

 

 5. Zanluca C, et al. First report of autochthonous transmission of Zika virus in Brazil. Mem Inst Oswaldo Cruz. 2015 Jun;110(4):569-72.

 

6. World Health Organization (WHO). Situation report: Zika virus, microcephaly, Guillan-Barré syndrome. [Internet] Disponível em: http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/254714/1/zikasitrep10Mar17-eng.pdf?ua=1. Acesso em: 2017. Jun 05. 

 

 7. Musso D. Zika virus transmission from French Polynesia to Brazil. Emerg Infect Dis. 2015 Oct;21(10):1887.

 

 8. Worobey M. Epidemiology: Molecular mapping of Zika spread. Nature. 2017 May 24.

 

9. Faria NR, et al. Establishment and cryptic transmission of Zika virus in Brazil and the Americas. Nature. 2017 May 24. 

 

10. Brasil. Ministério da Saúde. Boletim epidemiológico - Monitoramento dos casos de dengue, febre de chikungunya e febre pelo vírus Zika até a Semana Epidemiológica 52, 2016. [Internet] Disponível em: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/abril/06/2017-002-Monitoramento-dos-casos-de-dengue--febre-de-chikungunya-e-febre-pelo-v--rus-Zika-ate-a-Semana-Epidemiologica-52--2016.pdf. Acesso em: 2017 Jun 05.