O vírus da dengue

 

Às vezes, um mesmo vírus pode apresentar diferentes formas. O vírus da dengue se divide em cinco tipos: DENV1, DENV2, DENV3, DENV4 e DENV5. Os tipos 1, 2, 3 e 4 já foram encontrados no Brasil e podem causar tanto a forma clássica da doença (mais branda) quanto a dengue hemorrágica (mais grave).

 

Mas o DENV3 aparece como o tipo mais virulento, ou seja, aquele que causa formas mais graves da doença, seguido pelos DENV2, DENV4 e DENV1. A virulência está diretamente ligada à intensidade com que o vírus se multiplica no corpo humano.

 

Embora menos virulento, o DENV1 é o mais explosivo dos quatro tipos de vírus da dengue encontrados no Brasil, pois causa grandes epidemias em curto prazo e atinge milhares de pessoas rapidamente.

 

O DENV5, descoberto recentemente pelos cientistas, tem uma história evolutiva diferente dos demais tipos e circula no ambiente silvestre. Até agora, só temos notícia de um surto de dengue em humanos causado por este tipo do vírus, ocorrido na Malásia em 2007.

 

Segundo uma teoria recente, o vírus da dengue surgiu nas florestas da Ásia ou do leste da África, onde ocorre até hoje. Lá, ele circula entre macacos, sendo transmitido por mosquitos do gênero Aedes, como o A. furcifer ou o A. luteocephalus.

 

Acredita-se que, há pelo menos 4 mil anos, o vírus tenha evoluído desse ciclo silvestre para o ciclo rural, perto de moradias, passando a envolver humanos. Esse evento é chamado de emergência de uma nova doença. No ciclo rural, provavelmente o inseto transmissor foi o A. furcifer, já que este é o mosquito mais adaptado à zona de transição entre a floresta e a cidade. A partir daí, o vírus teria sido levado para o ambiente urbano ou periurbano pelo Aedes albopictus.

 

Mais tarde, com a disseminação do Aedes aegypti pelo mundo, o vírus da dengue passou a circular totalmente em um ambiente domiciliar urbano e iniciou um ciclo endêmico/epidêmico, que necessita apenas do mosquito transmissor e dos humanos, dispensando outros animais. Hoje, os ciclos silvestres e endêmicos ocorrem de forma independente na natureza.

 

Estrutura

O vírus da dengue é composto por uma fita única de ácido ribonucleico (RNA) de polaridade positiva, o que significa que sua tradução (processo que ordena a síntese de proteínas) ocorre assim que a célula hospedeira é infectada. Essa fita de RNA contém o código para uma única proteína, bem longa, que, depois da tradução, será cortada em proteínas que farão parte da estrutura do vírus e outras envolvidas em sua replicação, secreção e empacotamento. A estrutura viral é revestida por uma ‘capa’ de proteína em formato icosaédrico (com 20 faces).

 

Ação no corpo humano

Após infectar uma pessoa, o vírus da dengue se reproduz principalmente no sistema linfático, no baço, no fígado, na medula óssea, no intestino e até no cérebro, dependendo da gravidade de cada caso. Essa multiplicação descontrolada do vírus e em diversos tecidos é o que pode agravar o quadro da doença, comprometendo o funcionamento correto de sistemas importantes para a vida.